quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais normal

Fui fazer uma entrevista um dia desses e a entrevistadora, depois de eu contar um pouco da minha vida e planos, me disse que podia ver que eu sou normal.
Eu sou normal.
Sei que no caso ela estava querendo me elogiar, isso era positivo pra ela, mas eu nunca gostei de ser normal.
Sempre achei normal sinonimo de ser insoso, por isso nunca quis ser. Eu sempre quis ser outstanding (desculpe os que nao entendem ingles, mas nao ha expressao em portugues que queira dizer o que sinto como essa em ingles). Sempre quis me destacar em algo, ser muito boa em alguma coisa. Na verdade, eu sempre quis ser a melhor cantora de todos os tempos. Sempre foi meu sonho. Mas eu mal consigo cantar uma frase sem meu namorado me zoar. C'est la vie, como diria meu primo.
Outra coisa que eu sempre quis fazer extraordinariamente bem foi tocar instrumentos, assim mesmo, no plural. Sabe como é, desde pequena tive facilidade com piano, tirava musicas de ouvido no meu pianinho de brinquedo sem nunca ter tido uma unica aula, e isso eu tinha somente 4 anos de idade. Entao, aos 6 anos comecei a fazer aulas e achava tudo facil, nem precisava estudar. Ai veio o problema. Depois de um tempo (6 anos pra ser mais exata) precisei começar a estudar. Na verdade, percebi que seria melhor se eu estudasse. Mas antes tudo era tao facil pra mim que eu nao admitia ter que estudar pra uma coisa que era pra ser meu dom, ou seja, eu devia tocar nas teclas do piano e sair tocando qualquer coisa, nao é? Nao foi bem assim. E entao, burramente desisti do piano (na verdade, parei de fazer aulas porque eu tinha vergonha de me apresentar no fim do ano, mas a razao acima deve ter contado alguma coisa na minha cabeca pre-adolescente). Entao la se foi minha chance de ser magnifica no piano. Porque agora, burra velha com 25 anos, sem dinheiro e tempo pra fazer aulas, nao da mais.
Enfim, tempos depois tentei voltar aos instrumentos- violao pra ser mais especifica- pra ver se eu conseguia ser outstanding (de novo, desculpem os que nao falam ingles) em algum instrumento pelo menos. Mera decepção. Todos que ja me ouviram tocar aquelas seis cordas do violao viram que ele nao é pra mim at all! E eu achando que seria um às em qualquer instrumento que eu tocasse. Haha. Meu talento musical foi posto completamente à prova e desconfio que passei a vida me enganando que eu tinha algum. Entao nao Livia, voce nao é outstanding, voce é normal. E só.
Nem nas coisas que faço bem, como escrever e dançar, eu posso ser vista como um destaque. Meu livros nunca ganhariam um premio Jabuti. Meus roteiros nunca ganhariam um Oscar. Meus livros podem ate ser best-sellers, mas Paulo Coelho tambem é best-seller, e todos sabemos que é um lixo. Minhas estorias nao sao lixo, mas nao tem um pingo de genialidade. Sao, vamos ver se voces adivinham. Sim, normais. Nada complexo, so historinhas pra garotinhas adolescentes.
E na dança... bem, eu poderia ter sido muito boa- se nao tivesse parado de dançar aos 10 anos (dessa vez, nao por minha causa, mas por questoes financeiras). Mas eu parei, entao eu danço bem, mas nada de deixar ninguem com queixo caido.
Aí voce pode achar que eu talvez tenha uma personalidade que chama a atençao, que eu deixo marcas por onde passo. Hahahaha, é tudo que tenho a dizer. Se alguem lembrar meu nome eu ja fico feliz (ok, posso estar exagerando um pouco, mas é quase isso).
Entao pois é, eu sou normal, apesar de ser tudo que eu nao queria ser.
Enfim... c'est la vie.

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